quarta-feira, 5 de março de 2014

"Boa é a vida, mas melhor é o vinho", Fernando Pessoa

Trata-se de um prazer recentemente descoberto.

Sempre desdenhei o vinho tinto. Fazia cara feia pela cor, pelo cheiro, pelo paladar e optava sempre pelo vinho verde ou branco.

Quando se tratava de partilhar uma garrafa de vinho, quase sempre me faziam a vontade e lá íamos nós ao vinho branco ou verde, até que por solidariedade, e porque mal parecia, comecei a ceder: ora partilhava um vinho branco, verde ou tinto e mesmo assim ficava a ganhar porque o tinto só imperava em 1/3 das partilhas. Foi assim que paulatinamente fui descobrindo o quão prazeroso é acompanhar uma refeição com tão generoso néctar.

Sempre me disseram que a capacidade de o apreciar viria com a idade e na realidade sou a prova viva que alcancei este gosto com o aproximar dos trinta.  Assumo ser uma apreciadora de trazer por casa porque não consigo saborear e encontrar o verdadeiro prazer num copo de vinho em má companhia ou numa refeiçao express, sem prejuízo de o poder acompanhar (e bem) com um chocolatinho ou umas azeitonas. Não gosto do vinho por si só. O vinho é (tem de ser) sinónimo de um bom momento. Não condiciono as minhas escolhas aos preços altos ou aos grandes nomes, nem sequer sou pretensa enóloga ou "entendida" no assunto: gosto e pronto ou não gosto e pronto também. Não sei questionar se é pelas castas, pelo ano, pela região...sei que prefiro a bairrada e os vinhos do douro aos do alentejo. Sei que prefiro os vinhos jovens e simples aos "outros" que por maioria de razão presumo que sejam os velhos e complexos.

Não, não o consumo para aderir aos costumes da moda mas admito que o vinho (sobretudo o tinto) ganha cada vez mais palco nas conversas entre amigos e família, nos blogues da boa vida e nas partilhas do facebook!

Por norma não bebo às refeições mas passei a abrir largas excepções ao vinho tinto, esse danado de bom, sem que tudo isto signifique que tenha ignorado o vinho verde que acompanha tããããoooo bem um fim de tarde numa esplanada à beira-mar plantada ou o meu sempre querido espumante da bairrada cujo gosto não foi trazidopelo aproximar dos trinta mas já vem do "antigamente".


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